Iamony – depoimento de uma ceramista

“Minha avó, o nome dela era Caiti, aqui no Xingu ela era grande ceramista. Ai o pessoal Kuikuro, Kalapalo, Kamaiura, compravam só na mão dela. Quando eu era menina, parece que dez anos – dez anos já é grande – eu começava a ficar com ela, eu ficava brincando, fazendo a cerâmica pequenininha, eu ficava tudo junto com ela, eu gostava.

– Você quer aprender? – minha avó perguntou um dia.

– Eu quero – respondi.

– Você tem que ter paciência pra saber dessas coisas – minha avo falou. Mas ai eu não sabia o que responder pra minha avó. Eu ficava só rindo.

Depois que eu tive primeira menstruarão, eu sai perto dela, porque eu não podia fazer mais, eu fiquei dentro de casa quatro anos.

– Agora você já esta mocinha, você pode aprender a fazer rede, esteira, fiar algodão – ela falou. Mas eu disse pra ela:

– Vó, quando eu sair, você pode continuar ensinando cerâmica?

– Ainda você insiste? – ela riu – Agora você já é moça, você é moça bonita, você pode ficar dentro de casa, limpa – porque quando a gente mexe argila a gente suja o tempo todo. Você tem certeza que quer?

– Eu quero – eu disse.

Iamony Mehinako, é filha de pai Mehinako e mãe Waurá. Assim como sua avó, hoje é uma das grandes ceramistas xinguanas, vive na aldeia Yawalapiti, no Alto Xingu.

 

Depoimento extraído do documentário Iamony – Potière du haut Xingu, de Sylviane B. Pochstein, Serge Guiraud e Nathalie Petesch. Veja o documentário na íntegra:

Etnia: Yawalapiti
Localização: Parque Indígena do Xingu – Mato Grosso
População: 156 (Ipeax 2011)
Tronco Linguístico: Aruak

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