Banco de Madeira Xinguano

Para fazer um banco xinguano é preciso entrar e ficar na mata por pelo menos uma semana. Primeiro o índio adentra a floresta procurando sua árvore. Roxinho, lixeira, piranheira. No facão e no machado ele a derruba com ajuda de parentes. Tronco pesado, impossível carregá-lo até a aldeia. É preciso dividir em partes. Uma árvore pode render muitos bancos, depende do tamanho do banco, tamanho da árvore.

Se a peça for muito grande os primeiros entalhes precisam ser feitos ali mesmo no mato. Mais entalhe, menos madeira, mais leve pra carregar no ombro até a aldeia.
Em casa, na oca, com calma e precisão o índio xinguano faz os acabamentos necessários, imprimindo na peça toda sua intimidade com o animal. Num rosto de madeira, a expressão certeira de um macaco ou o formato dos músculos da onça no seu caminhar.

Por último a pintura. Jenipapo faz o preto, urucum o vermelho. O pincel: uma tala de buriti, da mesma maneira como pinta seu próprio corpo. Expressa nas cores traços da natureza: as ondas do rio, pele de cobra, casca de árvore. Encrusta na peça sua marca: o grafismo xinguano.

Por fim os olhos. Um pouco de cera de abelha preta serve como cola, e uma simples conta de caramujo, redondinha feita na faca, brilha os olhos do animal. Um acabamento sutil, mas fatal.
Os olhos do banco de madeira brilham. As vezes, tamanha perfeição, parece que se mexem, sonho que andam por ai. Não sei se ganham vida….uma energia animal….

Etnia: Mehinako
Localização: Parque Indígena do Xingu – Mato Grosso
População: 254 (Ipeax 2011)
Tronco Linguístico: Aruak

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